CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS E PROPENSÃO AO ENDIVIDAMENTO PESSOAL: UMA ANÁLISE SOBRE A ÓTICA COMPORTAMENTAL
Nome: EMMANUEL MARQUES SILVA
Data de publicação: 04/08/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| ADELSON PEREIRA DO NASCIMENTO | Examinador Externo |
| ALFREDO SARLO NETO | Examinador Interno |
| DANIEL FONSECA COSTA | Examinador Externo |
| PATRICIA MARIA BORTOLON | Presidente |
| RAFAEL DE LACERDA MOREIRA | Examinador Interno |
Resumo: Esta tese analisou, sob a ótica da economia comportamental, como diferenças individuais
influenciam a propensão ao endividamento pessoal. Parte-se do pressuposto de que decisões
financeiras não são determinadas apenas por fatores econômicos e demográficos, mas também
por traços de personalidade, vieses cognitivos e níveis de conhecimento financeiro. O modelo
teórico proposto integra os Cinco Grandes Fatores da Personalidade (Big Five), o viés da
contabilidade mental e o nível de conhecimento financeiro como variáveis centrais para a
compreensão do comportamento de endividamento. A investigação foi conduzida por meio de
sete artigos que se complementam. Os dois primeiros consistiram em revisões sistemáticas da
literatura, com o intuito de mapear a produção científica relacionada ao endividamento e à
contabilidade mental, e serviram como base conceitual para o desenvolvimento da pesquisa
empírica. Os quatro estudos seguintes trataram da construção e validação de instrumentos
psicométricos para mensurar a propensão ao endividamento, os traços de personalidade, a
suscetibilidade à contabilidade mental e o nível de conhecimento financeiro. Por fim, o sétimo
estudo analisou as relações entre as variáveis propostas por meio de Modelagem de Equações
Estruturais (SEM) e regressão linear múltipla. Os principais achados revelam que a
Conscienciosidade está negativamente associada à propensão ao endividamento, funcionando
como um fator protetivo. Em contrapartida, a Abertura à Experiência e o Neuroticismo
apresentam relações positivas com o endividamento. Identificou-se ainda que a contabilidade
mental exerce um papel moderador ao reduzir o efeito da Abertura à Experiência, sugerindo
que esse viés pode funcionar como uma barreira psicológica contra o excesso de dívidas. Por
outro lado, o conhecimento financeiro mostrou-se capaz de potencializar os efeitos positivos da
Conscienciosidade, atuando como facilitador da autorregulação financeira. A originalidade
desta tese reside na articulação teórica e empírica entre dimensões psicológicas e econômicas
em um modelo integrativo, aplicado ao contexto brasileiro. Os achados oferecem subsídios
relevantes para o avanço da literatura, o desenvolvimento de políticas públicas de educação
financeira e intervenções comportamentais mais eficazes. Como perspectiva futura, sugere-se
a replicação deste modelo em estudos intergeracionais, de natureza longitudinal, que
investiguem possíveis diferenças de padrões de endividamento entre as gerações Y
(Millennials), Z e Alfa.
